BIOGRAFIA Amy Winehouse

Ícone do jazz e do soul, Amy Winehouse cantava como ninguém. Ela tinha domínio total sobre a sua voz e no seu repertório não faltavam canções de soul, jazz, rhythm and blues (R&B), blues... Amy também era compositora e suas letras eram praticamente autobiográficas. E a estrela não precisava se nem esforçar para fazer bonito em cima do palco, seu talento era nato. Aos 14 anos, Amy já cantava na escola e aos 19 anos já começava a fazer sucesso. Se tudo tivesse seguido o percurso normal, Amy seria uma das maiores estrelas que o mundo já viu até hoje. Mas será que era isso que ela queria? Os mais próximos diziam que a fama a incomodava, além disso, sua turbulenta vida pessoal se sobressaiu e tomou conta dos tabloides internacionais. Suas fraquezas ganharam muito mais destaques do que suas músicas. Saiba mais sobre a trajetória da estrela do jazz que morreu precocemente aos 27 anos.

A infância conturbada

Amy Winehouse nasceu em Southgate, no subúrbio de Londres, em 14 de setembro de 1983. Sua infância não foi fácil. Seu pai, Mitchell, era motorista de táxi e a mãe, Janis, farmacêutica. Quando Amy tinha 10 anos seu pai saiu de casa para viver com outra mulher que ele conheceu no trabalho e ela viu a sua mãe sofrer muito. Amy ficou com o irmão e a mãe, que sofre de esclerose múltipla.

No livro "Amy Winehouse: The Untold Story", a autora Chloe Govan revela que a estrela tomou uma overdose de remédio para tentar se matar após seu pai sair de casa. Ela se sentiu abandonada e ficou tão devastada que também começou a se automutilar.


Olha que fofura Amy quando criança



Já no auge do sucesso ao lado de seus pais, Mitch e Janis


Mesmo com esse histórico, desde pequena, Amy gostava de ouvir jazz e era fã de Frank Sinatra. Aos 9 anos ela foi fazer aula de canto e aos 10 começou a cantar rap em uma banda chamada "Sweet 'n' Sour". Aos 14 anos abandonou a escola por causa da música e nessa mesma época que começou a usar drogas. Aos 15, ela já tinha o seu violão, começou a compor e se apresentar em pequenos clubes de jazz, em Londres. Em 1999, entrou para a banda "National Youth Jazz Orchestra" e gravou uma demo. Em seguida, assinou com a EMI Music, mas antes de lançar um disco, foi para a Island Records e, aí sim, começou a trabalhar em seu primeiro álbum.

Amy decolou rapidamente na carreira artística

Assinado o contrato com a gravadora Island Records , em 2003 ela lança o álbum "Franck", com os sucessos "Stronger Than Me", "Take the Box", "In My Bed"/"You Sent Me Flying" e "Pumps"/"Help Yourself". O disco vai muito bem, mas não chega a estourar mundialmente.


Essa é a capa do primeiro disco da cantora.


Relembre aqui o sucesso "Stronger Than Me":



Amy então da uma sumida e nesse meio tempo sua vida pessoal passa a se destacar mais do que a sua música.

Ela só volta a aparecer em 2006, com um visual mais magro e sem disfarçar o consumo de álcool e drogas. É que ela e o então namorado Blake Fielder-Civil tinham rompido e Amy sofre muito com a separação. Nesse tempo, ela aproveita para compor o seu segundo disco, o "Back to Black", que a lança ao estrelato. Neste álbum está "Rehab", uma das músicas mais famosas da cantora, além de "You Know I'm No Good" e "Back to Black" e "Tears Dry on Their Own" e "Just Friends". O álbum é muito bem recebido em diversos países e é o disco mais vendido de 2007.


Essa foi a capa do segundo disco


Sempre é bom relembrar "Rehab", canção em que Amy diz que não quer se tratar sobre seus vícios:


E esse disco rende a participação da cantora no MTV Movie Awards de 2007, e ela se sai muito bem.


Ainda em 2007, chega às lojas "Back to Black: Deluxe Edition" que além do disco de estúdio, tem oito faixas novas e gravações demos.


Esse é o disco em versão luxo


Amy também lança seu primeiro DVD, "I Told You I Was Trouble: Live in London", que foi sucesso absoluto. A primeira canção que ela trabalha é "Valerie", que é indicada a premiação BRIT Awards na categoria Melhor single Britânico. Depois vieram os hits "Cupid" e "Love is a Losing Game".


Um arraso de DVD.


Relembre "Valerie":



Em 2008, Amy até começa a trabalhar no seu terceiro álbum, mas ele não chega a ser finalizado. No ano seguinte, Amy inaugura a própria gravadora, chamada Lioness Records, e sua primeira "cliente" é sua sobrinha Dionne Bromfield.

Em sua discografia ainda está o álbum póstumo "Lioness - Hidden treasures", lançado em 2011. Neste trabalho há 12 canções com faixas inéditas e versões alternativas para clássicos. Também tem a versão de Amy para "Garota de Ipanema" (The Girl From Ipanema) .


Esse é o álbum lançado em sua homenagem.


Outros trabalhos da cantora

Em 2010, Amy canta "Valerie" com Mark Ronson na estreia do filme de terror, Psychosis. Ela também regrava com Ronson a canção "It's My Party" para o álbum "Q: Soul Bossa Nostra", de Quincy Jones. No ano seguinte, Amy faz um dueto com o cantor de jazz Tony Bennett na canção "Body & Soul" para o seu álbum dele chamado "Duets II".

A estrela no Brasil

Os brasileiros eram loucos por Amy. Em 2009, a cantora internacional foi a estrela que mais vendeu discos por aqui. Foram mais de 500 mil álbuns. Em 2011, ela passa por aqui com a sua turnê e leva seus fãs ao delírio ao fazer shows em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Florianópolis.

A estrela é destaque absoluto do Grammy

O ano de 2008 era realmente especial para a cantora. Ela simplesmente venceu cinco das seis categorias em que estava concorrendo no Grammy Awards. Ela levou as estatuetas de Canção do Ano, Gravação do Ano, Melhor Performance Vocal Pop Feminina, Artista Revelação e Melhor Álbum Vocal Pop. Isso a fez entrar para o livro dos recordes, o The Guinness Book of World Records como a artista feminina britânica que mais foi premiada em apenas uma edição do Grammy.

Amy também foi homenageada depois de morrer. Na 54ª edição do Grammy Awards o single "Body & Soul", que a cantora gravou com o cantor Tony Bennett, venceu a categoria Melhor Performance Pop/Dueto/Banda/Grupo em 2012.

Escute aqui o dueto de Amy e Bennett:



O namoro destrutivo

Em 2005, Amy Winehouse começa a namorar o assistente de vídeo Blake Fielder-Civil, após conhecê-lo em um bar em Londres. O namoro, que já começou cheio de turbulências, acaba logo em seguida e a garota, completamente apaixonada, surta. Ela começa a abusar ainda mais do álcool e das drogas pesadas. Aliás, Blake já assumiu que foi ele quem apresentou esse tipo de droga para Amy, que usava para acompanhar o namorado. Ela ficou com depressão e ainda mais magra.


Amy era louca por Blake e eles tinham uma relação doentia


Durante esse período em que ficaram separados, Amy tem um affair com o cantor Alex Care, mas voltou com Blake. Eles então se casaram em maio de 2007, em Miami e se você acha que as coisas iam melhorar, se enganou. Eles continuaram se amando, brigando e reatando.

Para piorar a situação, em 2008, Fielder-Civil foi preso por ter agredido o dono de um bar em Londres. Nessa época, Amy começou a namorar o ator Joshua Bowman e na cadeia mesmo Blake viu fotos da cantora com Joshua e pediu o divórcio acusando-a de adultério. No ano seguinte, em 2010, Winehouse conheceu o diretor de cinema Reg Traviss, que namorou por cerca de um ano, até a sua morte.


Amy desfilando com Traviss


Vida louca, vida!

Mesmo com todo sucesso que fazia por onde passava, a vida da estrela não era nada fácil. Ela chegou a assumir que tinha problemas com automutilação, transtorno bipolar, distúrbios alimentares e anorexia, além de um enfisema pulmonar. Esses problemas se acentuam em 2005, quando Amy começa a abusar do álcool e das drogas e entra em depressão depois do fim do relacionamento com o seu então namorado Blake.

Em 2006, as coisas pioram ainda mais e em 2007 ela sofre uma overdose e vai em coma para o hospital. Após um vídeo cair na rede com Amy usando crack, ela aceita ir para uma clínica de reabilitação e sai bem algum tempo depois. Mas em seguida, tem uma recaída e sua carreira fica comprometida. Seus shows não são mais os mesmos e Amy chega a ser presa por porte de drogas.

Por conta de tudo isso, os paparazzi viviam atrás dela, mas Amy conseguiu uma ação para eles não chegarem perto dela e nem de sua casa, familiares e amigos.


Amy não tinha sossego... dá uma olhada na quantidade de paparazzi atrás dela


A tragédia anunciada

Entre a gravação de um cd e outro e de um show e outro, fotos de Amy fora de controle começaram a pipocar nas revistas e na internet. Muitas vezes, Amy já não dava conta de se apresentar. Sua última aparição foi no show de sua sobrinha Dionne Bromfield, no Camden Town. Três dias depois, em 23 de julho de 2011, a cantora é encontrada morta em sua casa em Londres. O motivo da morte foi a ingestão de uma quantidade excessiva de álcool. Além dos fãs, U2, Lady Gaga, Nicki Minaj, Bruno Mars, Rihanna, George Michael, Adele fizeram suas homenagens à cantora no dia de sua morte.

A cerimônia seguiu os preceitos da religião judaica e o corpo da artista foi cremado e suas cinzas foram misturadas com as de sua avó, Cynthia.


Amy já estava dando vários sinais de que as coisas estavam ficando fora de controle


De olho no próximo

Tem um fato da vida de Amy que pouca gente conhecia. Ela era uma moça que gostava muito de ajudar ao próximo, principalmente crianças. Em 2006, ela cantou na campanha anual britânica Children in Need e em 2008 participou de uma campanha contra o câncer de mama. Amy também doou mais de 20 mil libras para uma loja de caridade em Londres.

Amy e sua paixão por tatuagens

A primeira tatuagem que Amy fez foi uma Betty Boop, aos 15 anos. Depois disso, pegou gosto e fez várias outras, como uma pin-up, uma ferradura da sorte, a expressão Daddy's Girl (menina do papai), além de uma pena, um pássaro com as palavras Never clip my wings (Nunca amarres as minhas asas) e uma tatoo de um bolso e a frase Blake´s (do Blake).


Amy e algumas de suas tatuagens


Estilo de Amy faz sucesso

Desde que estourou, Amy chama atenção por seu cabelo cheio de volume, make com delineador bem marcado no canto dos olhos e batom vermelho, que ganharam as páginas de diversas revistas de moda. Seus vestidos também chamam atenção, sempre curtos e colados, com decotes e cintura marcada.


Estilo Amy de ser


Amy Winehouse inclusive lançou a linha de roupas Amy Winehouse for Fred Perry, criada pela própria cantora em parceria com o inglês. Ela chegou a arrumar encrenca por exigir que tivesse a numeração 34 na coleção.


Essas são algumas das peças de sua coleção


Essa é Amy

Você sabia que Winehouse já saiu correndo do palco para vomitar? Ela também foi rodopoiar e caiu no meio do show. Mas a abusada menina, durante uma premiação Reino Unido, cutucou Bono Vox (do U2) durante um de seus discursos e disse: "Cala a boca! Não tô nem aí!".

Violão ou mocinho?

Quando se fala em Mitch, pai de Amy, fica difícil avaliar qual era a dele. Na biografia que ele mesmo publicou revela o seu ponto de vista. Ele diz que tentou muito ajudar a filhaa se livrar das drogas e do álcool, mas reconhece que nem ele aguentava mais. Mitch também acusa a imprensa, os traficantes e o Fielder-Civil como os vilões da história. Embora ele assuma sua parcela de culpa, Mitch nega que tenha se aproveitado da situação para lucrar com o sucesso da filha. O livro é quase um pedido de desculpas pelos seus erros.

O dinheiro arrecadado foi destinado à Amy Winehouse Foundation, ONG criada por ele para cuidar de dependentes químicos carentes.

Sucesso absoluto do documentário

Há poucos meses, foi lançado o documentário "Amy", considerado o melhor da história britânica. Com direção de Asif Kapadia, no filme fica claro a insensibilidade de Mitchell, que chegou a levar uma equipe de filmagem para o Caribe, onde Amy passava férias. Ela ficou muito brava. Também fica claro como Amy sofreu com o desinteresse paterno e como tinha uma relação doentia com o marido Blake. O filme conta com vídeos caseiros, imagens de arquivo e depoimentos de pessoas próximas.

Por conta disso, a família da cantora não apoia o documentário. Eles alegam que é enganoso e contém mentiras contra eles. O filme terá sua estreia no Brasil em breve.

Confira um trecho do documentário