Milonga do Xeque Mate

Milonga do Xeque Mate
Um peão no tabuleiro
Um cavalo em disparada
Na caçamba da pick up
As lembranças da estrada

Quatro torres no castelo
Um lamento em cada canto
Quatro rodas tracionadas
Para sempre por enquanto

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Quem perdeu a sua chance
Qual foi o lance vencedor?

Um movimento: Xeque-mate
Silêncio esclarecedor
Poeira levantando
Levando o ronco do motor

Grito preso na garganta
Canta o rádio da pick up
Procurar outros destinos
Pra que a vida não escape

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Quem perdeu a sua chance
Qual foi o lance vencedor?

Um rei, uma rainha
Defendendo seu reinado
Cada um com sua cor
Sua corte, seu quadrado

Numa noite sem tamanho
Um rebanho no abate
Olho no retrovisor
Agora fora de combate

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Quem escolhe o caminho
Quem caminha ao sabor...

...Dos ventos e tempestades
Do movimento das marés
Da força da gravidade
Que nos prende pelos pés

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
De quem era o coração
Conservado em isopor?

A mão que move o destino
Peça que move o jogador
Oferece o mate amargo
Pra matar a solidão

Pra matear ali solito
Gosto amargo da distância
Até que a vida nos separe
Da nossa humilde arrogância

Quem se joga nesse jogo
Faz da regra liberdade
Faz valer o seu valor
Quem se joga de verdade

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Quem perdeu a sua chance
Qual foi o lance vencedor?

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Quem perdeu a sua chance
Quem fez o lance vencedor?

Afinal quem é a peça
E quem é o jogador?
Humberto Gessinger - Insular
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